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sábado, 20 de maio de 2017

Depois do PSB, PSDB, DEM e PPS devem abandonar governo Temer

O PSDB, o DEM e o PPS se reunirão amanhã, domingo, em Brasília, para discutir a saída das siglas do governo. Hoje, a tese majoritária é a do desembarque. As lideranças querem tirar uma posição conjunta e que deixe clara a prioridade a ser adotada a partir de uma eventual renúncia de Michel Temer (PMDB): a de “manter o projeto” – o que, na prática, significa a aprovação das reformas e a preservação da política econômica.
Para um líder tucano, o discurso do presidente neste sábado não alterou em nada a situação, que o partido considera “crítica”. O PSDB não pretende abraçar a bandeira da eleição direta no caso da queda do peemedebista. “A saída será pela Constituição”, afirma o dirigente. A Constituição prevê que o sucessor de Temer seja definido pelo Congresso, após convocação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que assumiria o cargo interinamente e teria 30 dias para convocar a eleição.
Os três partidos – que, juntos, reúnem 85 dos 513 deputados da Câmara – se tornaram parte da base governista com a ascensão de Temer ao poder. Nas eleições de 2014, eram as três principais legendas da coligação que levou Aécio Neves (PSDB) ao segundo turno, quando foi derrotado por Dilma Rousseff (PT).
Se a debandada se confirmar, será mais um baque para Temer desde que seu nome foi lançado ao epicentro do escândalo tornado público com as delações do empresário Joesley Batista e outros executivos da J&F, holding que controla o grupo JBS.
Neste sábado, Temer perdeu o apoio do PSB, a sexta maior bancada da Câmara, com 35 deputados. Reunida em Brasília, a Executiva nacional do partido oficializou o desembarque pouco antes de o peemedebista fazer pronunciamento na TV para se defender das suspeitas de obstrução da Justiça, corrupção e organização criminosa, pelas quais é formalmente investigado em inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).
O PSB vai pressionar o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, que é do partido, a entregar o cargo ou ao menos se licenciar. Mas não houve deliberação a respeito. Ele teve apoio de dirigentes de Pernambuco e São Paulo para assumir a pasta, embora não tenha sido indicado pela comando nacional do partido.
“Entendemos que o presidente deve renunciar porque já não tem condições políticas, morais, éticas e administrativas para continuar. Que ele facilite a vida dos brasileiros para que se vire essa página”, disse Carlos Siqueira, presidente nacional da legenda. Ele afirmou que o ministro permanece “na condição de convidado por Temer”.
Na quinta-feira, logo após a eclosão do escândalo, o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, decidiu deixar o governo – ele entregou a carta de demissão a Temer no mesmo dia. Outro ministro do PPS, no entanto, Raul Jungmann (Defesa) continua no cargo, já que o partido considera que, pela especificidade da pasta, a transição tem de ser mais planejada.
(Veja)